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O 37.º aniversário do lançamento ZX Spectrum vai ser assinalado hoje, às 15h00, no Município de Cantanhede com uma tertúlia no auditório do Museu da Pedra.

Confirmada está a participação de António Dias Figueiredo, professor catedrático aposentado do Departamento de Engenharia Informática da Universidade de Coimbra, co-fundador do Instituto Pedro Nunes, proponente do Projecto MINERVA (informática nas escolas nos anos 80) e membro da equipa do computador pessoal Português ENER1000. Serão também participantes André Luna Leão, fundador do blog Planeta Sinclair, e João Diogo Ramos, engenheiro informático natural de Cantanhede, promotor da iniciativa e curador da exposição LOAD””, que ficará patente ao público na unidade museológica, no âmbito da celebração da efeméride.


Outro interveniente de relevo é Gonçalo Quadros, fundador e CEO da Critical Software, neste caso através de uma entrevista gravada propositadamente para este encontro de entusiastas do mítico computador dos primórdios da generalização da informática para uso pessoal.

A exposição LOAD””, que será inaugurada de seguida, está estruturada com base na coleção Geração Spectrum, que tem sido apresentada em fóruns e eventos da área a nível nacional e internacional. É constituída por cerca de 100 computadores Spectrum de Países como Inglaterra, Portugal, EUA, Espanha, França, Polónia, Egipto, Argentina ou Brasil e inclui inúmeros periféricos (sistemas disquetes, gravadores cassetes, sistemas cartuchos, impressoras, modems, joysticks, ratos, canetas óticas, monitores, cassetes, cartuchos, discos vinil ou teclados externos), manuais, livros e revistas de época. Outra vertente da coleção é dedicada à história das empresas de Sir Clive Sinclair, criador do ZX Spectrum, e contempla todos os veículos elétricos, aparelhos de medida, calculadoras, relógios, TVs de bolso e rádios/aparelhos áudio.

A coleção é propriedade de João Diogo Ramos, engenheiro informático colaborador do Grupo Critical Software há 17 anos e atualmente CEO de uma das empresas do grupo. É ainda cofundador de outras empresas, projetos e associações ligadas ao empreendedorismo tecnológico.


 

Sobre o ZX Spectrum

Hoje, os dispositivos tecnológicos de bolso são mais potentes que os computadores pessoais de há poucos anos atrás. Mas o mundo nem sempre foi assim. Recuando à década de 80 do século passado, os computadores ou consolas eram praticamente inexistentes em casa dos portugueses, situação que mudou completamente em duas décadas.

Nos anos 70, existiam alguns equipamentos, provenientes do continente Americano, de empresas como a Apple, a Commodore ou a Atari, mas a sua generalização foi limitada, sobretudo pelo seu elevado custo. No final dessa década, Clive Sinclair, um inventor inglês, decidiu apostar nesta área emergente e, em 1980, lançou o primeiro microcomputador com um preço abaixo das 100 libras, o ZX80, dispositivo tecnológico que se ligava à televisão e que viria iniciar a mudança do panorama da utilização dos computadores em Inglaterra, processo que se generalizou em muitos outros países, incluindo Portugal.

Em 23 de Abril de 1982, a empresa Sinclair introduziu no mercado uma versão mais evoluída, a cores, de seu nome ZX Spectrum, que veio a tornar-se um ícone dos jovens da geração dessa década. O ZX Spectrum não nasceu para ser uma máquina de jogos, mas atingiu o estrelato, muito devido a essa componente lúdica. Imediatamente, surgiu todo um ecossistema à volta deste equipamento onde jovens começaram a desenvolver competências na área tecnológica, o que veio a despertar a vocação para a informática de muitos profissionais atualmente ligados ao mundo das tecnologias de informação, os quais começaram por aprender a programar neste equipamento percursor do mundo informático que hoje conhecemos.

Também o nosso país desempenhou um papel de muito relevo nesta revolução tecnológica, devido ao destaque que a engenharia portuguesa da empresa TIMEX (TMX Portugal). Tendo esta começado por montar alguns dos primeiros computadores da Sinclair, desde cedo o desenvolvimento de novos modelos com a marca TIMEX cresceu e popularizou-se em alguns países. Em determinado momento era a TIMEX Portugal, com instalações na Costa da Caparica, quem desenvolvia alguns dos microcomputadores e periféricos mais avançados do mundo Spectrum. Ainda hoje, é possível encontrar microcomputadores da TIMEX, Made In Portugal, em países tão díspares como Portugal ou Polónia e - no continente americano - Estados Unidos da América ou Argentina.

Atualmente, existem comunidades ativas, de colecionadores e apaixonados do tema, por todo o Mundo. O mais curioso e surpreendente é o contínuo lançamento de novos jogos e de novas versões dos computadores feitos pela comunidade.

O tempo de carregamento dos programas e jogos continua a ser tema de discussão acesa. O som é ainda hoje reconhecível por quem o experienciou. E o que dizer da nostalgia das “tardadas” bem passadas com os amigos à volta do computador?

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