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Da Holanda, e pela mão de apenas duas pessoas, chega-nos Kyn, um novo RPG desenvolvido PC, Mac e Linux, inspirado nas lendas e mitos dos Vikings.

Depois de outros exemplos, a Tangrin Entertainment, um estúdio independente composto por Cavit Ozturk e Victor Legerstee, prova novamente que não são necessárias equipas numerosas para desenvolver bons jogos. Contando com apoio de alguns elementos externos para finalizar alguns aspetos do jogo, assim como da Versus Evil na sua publicação, os dois fundadores da Tagrin programaram, desenharam e deram vida ao RPG que imaginaram.


Obviamente que existem aspetos a rever e alguns elementos em falta, mas podemos desde já adiantar que o resultado do trabalho destas duas mentes criativas é bastante interessante. Ao longo da análise que se segue, vamos então perceber o que de melhor e menos bom tem este RPG para nos ofererecer.


Primeiros passos...

Quando executámos o jogo pela primeira vez, começámos por explorar os menus de configuração. Na opções gráficas encontramos diferentes níveis de qualidade que vão desde "Fastest" para visuais mais modestos a "Fantastic" para o nível máximo de detalhe. Também podemos alterar algumas opções sonoras e alterar a "hotkeys", ou seja, teclas de acesso rápidos que vamos utilizar no jogo, por exemplo, para ativar habilidades especiais.

O passo seguinte é iniciar a avenura, escolhendo o nível de dificuldade. Existem cinco níves de dificuldade diferentes, que vão desde "Casual" a "Legendary". Por aqui, optámos pelo "Normal".

Quando entramos no mundo do jogo, vemos Bram e Alrik, os dois primeiros personagens que controlamos, a sair de uma caverna, depois de um ritual que os tornou guerreiros com poderes mágicos. Nesta altura, Bram e Alrik descobrem que a sua aldeia está a ser atacada pelos Aeshir, uma raça outrora pacífica que de repente se tornou hostil encorajada por poderes sombrios. E é a partir daqui que  começa a nossa aventura...

Jogabilidade

Kyn é um jogo de ação e fantasia com elementos RPG, onde controlamos os personagens, interagimos com o mundo e combatemos inimigos a partir de uma perspectiva superior, ou seja, tudo é visto de cima. É uma mecânica inspirada nos velhinhos RPGs com visão isométrica, e que funciona relativamente bem.

Na verdade, quase todos os elementos de jogabilidade de Kyn nos fazem lembrar os RPGs de há vários anos atrás, o que não é necessariamente negativo, mas pensamos que faltam algo para que esta aventura seja verdadeiramente épica.  

Kyn é o tipico RPG onde controlamos personagens com poderes mágicos (aqui podemos controlar até 6 personagens, dependendo da fase do jogo), onde podemos personalizar e melhorar o seu equipamento e habilidades especiais à medida que avançamos no jogo, e onde realizamos tarefa após tarefa para concluir cada uma das missões.

Normalmente, os personagens dos RPGs vão subindo de nível à medida que avançam no jogo. Em Kyn não existe propriamente um sistema de níveis, mas temos pontos de capacidade que ganhamos ao longo do jogo, e que podem utilizados para melhorar a mente, corpo e controle de cada dos personagens, desbloqueando assim novas habilidades e capacidades especiais. Em qualquer altura (fora de combate), podemos retirar pontos de um atributo e colocá-los em qualquer um dos outros. A distribuição destes pontos reflete a nossa forma de jogar, assim como as armas e habilidades que atribuímos a cada personagem. Podemos querer ter apenas guerreiros especialistas em lutas corpo-a-corpo, ou arqueiros que atacam à distância, ou até mesmo um grupo composto exclusivamente por poderosos feiticeiros com poderes mágicos, mas no nosso entender, um grupo equilibrado é a melhor opção, pois nunca sabemos o que vamos enfrentar.

Tal como a maioria dos RPGs, temos uma série de controles à nossa disposição para realizar cada ação de forma mais rápida. Ou seja, para além dos botões do rato, onde realizamos as tarefas mais comuns, podemos utilizar teclas de atalho no teclado para lançar ataques especiais ou selecionar personagens mais rapidamente. A rápida utilização destas teclas pode determinar o sucesso ou insucesso de cada confronto.

A navegação no mapa não é um dos pontos fortes de Kyn. Quando temos de percorrer longas distâncias, não temos a opção de selecionar um ponto no mapa e esperar que os nossos personagens cheguem ao destino. Em vez disso, estamos limitados à área visível do mapa, e temos de repetir vezes sem conta o clicar de rato sobre a área para onde queremos que os personagens se desloquem.

Os elementos táticos entram em jogo durante o combate, quando enfrentamos  forças inimigas que estão em maioria o que têm elementos mais mais poderosos. Felizmente, existe a opção de retardar a ação por alguns segundos, permitindo-nos tomar decisões rápidas que podem mudar o rumo dos acontecimentos, tais como curar os nossos personagens, colocar armadilhas ou até mesmo fugir dos inimigos. É bastante gratificante superar uma onda de inimigos aparentemente imparável, e dada a gama de habilidades que cada personagem possui, existem inúmeras formas de o fazer.

Para além do combate e da tática, encontramos ainda no mundo do jogo alguns puzzles para resolver. Não são enigmas demasiado complexos, mas sempre são um desafio adicional que marcam uma pausa na ação.

Um RPG que se preze possui um sistema de criação de objetos, e Kyn não é exceção. Ao longo do jogo, temos a oportunidade de recolher ou comprar vários recursos, uns mais raros do que outros. Estes recursos são deixados pelos inimigos que eliminamos, em baús escondidos no mundo do jogo, ou adquiridos em vários pontos de comércio. De processos simples, embora nem sempre seja fácil encontrar todos os ingredientes, o sistema de criação permite-nos produzir e melhorar dezenas de objetos.

Deixámos para o fim um elemento que falta no inicio do jogo: um tutorial. É certo que os fãs dos RPGs já conhecem a mecânica deste tipo de jogo, mas nem tudo é demasiado óbvio. Quem nunca jogou um RPG, poderá ter algumas dificuldades em dominar as mecânicas de Kyn.



Gráficos e som

A nível visual, Kyn está longe de ser um jogo que põe à prova a capacidade da nossa placa gráfica. A modelagem dos personagens e texturas dos objetos não são um espanto. De qualquer forma, o mundo de Kyn tem os seus encantos, pois para além de bastante colorido, possui uma grande diversidade de elementos naturais e arquitetónicos que distinguem as diversas áreas.

A banda sonora de Kyn agradou-nos, e adequa-se perfeitamente ao tema do jogo. Cada vez mais as bandas sonoras do jogos rivalizam com as dos filmes, e a de Kyn bem podia ser adaptada a uma aventura de Hollywood. De referir ainda que os efeitos sonoros cumprem bem a sua tarefa, e que não existe nenhuma voz no jogo, sendo que os diálogos são todos apresentados em texto.


Conclusão

Não sendo um jogo que vai ficar para a história como um dos RPGs mais épicos e empolgantes dos nossos tempos, relembramos que Kyn foi criado por apenas duas pessoas. É certo que existe muito a melhorar, mas o objetivo de criar uma experiência "role-playing" clássica capaz de nos prender durante muitas horas, foi alcançado.

  • 7Gráficos
  • 8Som
  • 7Jogabilidade
  • 7Nível de envolvência
  • Bom
    “uma experiência "role-playing" clássica capaz de nos prender durante muitas horas”
    7.25
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